
Como entender que, com poder de decisão política, alguns ajam tão freqüentemente de forma contrária àquela apontada pela razão e pelos próprios interesses em jogo? Por que o processo mental dessas inteligências, também tão freqüentemente, parece não funcionar?
Entre as causas que mais contribuem para a insensatez política, a principal é a ambição do poder.
A ambição do poder é a mais flagrante de todas as paixões. Ela só se satisfaz quando exerce o poder sobre os demais seres humanos. Governar acaba sendo a melhor forma de exercer o poder sobre as pessoas.
Ganhar muito dinheiro, ou conseguir muita fama, também oferece satisfação de poder. Mas isso só se forem muito bem sucedidos. Nos casos comuns, embora o dinheiro lhes propicie alta posição social e luzes de fama, fica faltando o domínio sobre os demais. O real domínio, que só o ato de governar lhes oferece! O domínio sobre os outros significa, para os governantes, o verdadeiro poder que ambicionavam. Por isso desejam-no ardentemente e conquistam-no a duras penas. Depois, lamentavelmente, se revelam incapazes de exercê-lo sobre si mesmos.
Nenhuma alma consegue resistir ao excesso de poder. Para livrá-la da insensatez, só a garantia das leis. Sem essas garantias, o excesso de poder conduz à desordem e à injustiça. Toda insensatez começa assim.
No mundo de hoje, qualquer titular de governo enfrenta muitíssimos problemas. Às vezes, fica difícil a compreensão clara e sólida de muitos deles. Não sobra tempo para pensar e refletir. Além disso, o grupo que cerca o chefe só age em função de decisões que possam lhe garantir prestigio político e força eleitoral. E se ele fica à mercê do grupo que o cerca, ele abre caminho para uma situação que alguns estudiosos definem como estupidez protetora.
A nossa marcha da insensatez vem sendo liderada por um grupo assim, todos movidos exclusivamente pelo objetivo de permanecer no poder. Põem em prática, como nunca antes, todos os famosos princípios de dominação pela propaganda, seguidos por Goebbels, Stalin, Mao, Fidel e tantos outros.
Não se pode negar que, à custa de bilhões de reais, os efeitos dessa propaganda estão sendo alcançados. O mais triste, ainda, é que apesar de todos os escândalos, da mais deslavada corrupção, da mais desavergonhada compra de consciências, da mais cínica postura em relação às leis, o brasileiro continua calado e anestesiado. A voz do país ainda não se fez ouvir. Misteriosas e oportunas pesquisas de opinião dão a entender que o povo está feliz, achando que tudo vai bem. De onde vem, então, essa apregoada visão positiva de um governo tão vulnerável?
Vem da força terrível da propaganda. Da pratica imoral da dominação de um povo pelas artimanhas, armadilhas e artifícios da mais poderosa e cara máquina estatal de propaganda governamental jamais montada antes no Brasil!
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